Pedaço Duma Asa - Mariana Aydar (show)

Novo show da paulista Mariana Aydar, “Pedaço Duma Asa” é baseado no álbum homônimo lançado pela cantora em Agosto desse ano. Ontem foi a sua primeira apresentação no Rio de Janeiro, no Theatro Net Rio, em Copacabana. Acompanhada por Bruno Marques (que também faz a direção musical ao lado de Duani), Dennys Baluarte e Abhul Junior na percussão, Guilherme Held na guitarra e Magno Vito no baixo, teclado e baixo synth, Mariana trouxe também para compor o palco os artistas de rua Erinaldo Cardoso Lima (Saci) e Fred Araujo (Soldadinho de Chumbo), que ficam como estátuas humanas o tempo todo, mudando poucas vezes de posição, de acordo com as músicas. Esse novo trabalho tem como base composições de Nuno Ramos e Clima, que assinam também o cenário.

As musicas são bem mais densas que seu último trabalho, “Cavaleiro Selvagem...” e Mariana, com sua fortíssima carga dramática de interpretação, transformou as músicas que pareciam apagadas no CD num show que poucos artistas conseguem fazer. Algumas musicas são tocadas sem intervalo entre elas e o publico nem tem a chance de aplaudir ou mesmo respirar. Parece que a obra toda é quase uma única trilha contínua. Além das músicas do álbum, ela inclui apenas “Solitude” e “Flor e Espinho” no meio do setlist. Também pouco fala com a plateia, deixando todos em transe com a atmosfera densa que cria durante o show. Muito bom. Apenas no final, já no bis, ela abriu espaço para músicas antigas, como “Palavras não falam”, de seu primeiro álbum.

O show é muito bem produzido, bem costurado, com uma trama que vai se desenvolvendo chegando ao fundo do poço em “Barulho Feio”, de onde ela sai com “Flor e Espinho” numa versão quase acústica, e emenda nas bossas “Samba Triste” e “Saiba ficar quieto” e depois retomando a animação com “Caia na Risada”, o forró “Isso Pode” (que além de ter um arranjo muito melhor que no CD, ainda termina com um trecho de “Carcará”) e culminando com “Dentro das Rosas” que começa com uma voz em off e segue com Mariana dançando e apresentando a banda.

O destaque para mim foi a canção “Barulho feio”, que ela canta acompanhada apenas da guitarra que faz um ruído que lembra o título da música. E termina o numero agachada n o chão, enquanto a luz vai se escurecendo enquanto um riff de guitarra que parece um lamento (ou o som de um solitário inseto na madrugada no meio do mato) vai calando a cantora. Perfeito!

Quem não pode conferir e está “se rasgando”, fique de olho, pois já há novas datas confirmadas no Rio, dias 17 e 18 de Novembro na Caixa Cultural. Então corre para garantir seu ingresso!

Ah, aqui estão alguns vídeos do show.

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