Rio Sem Preconceito 2015 (show)

A Coordenadoria Especial da Diversidade Sexual, criada pela Prefeitura do Rio de Janeiro em 2011 e dirigida por Carlos Tufveson, lançou no Circo Voador ontem, numa noite estrelada, a sua nova campanha contra a homofobia. São comerciais de TV com grandes nomes como Gloria Pires, Paolla Oliveira, Alexandre Borges, Thiago Martins, Antonio Pitanga e Bruno Gagliasso que serão veiculados na Rede Globo e também nos canais a cabo, além de cartazes em mais de 8.000 ônibus pela cidade. Para o lançamento, um show foi armado na lona conhecida historicamente por sua força politica-cultural. A apresentação foi conduzida por Fernanda Lima, a mestre de cerimônias descontraída e animada e teve shows de Mart’nália, Preta Gil, Zélia Duncan, Roberta Sá, Toni Garrido, Emanuelle Araújo, Teresa Cristina, Simone Mazzer e Pretinho da Serrinha. Cada artista cantou duas ou três músicas e, no final, todos juntos no palco – exceto Preta Gil que já tinha saído do evento –, relembraram um dos maiores ícones da musica popular brasileira, gay, vitimado pela AIDS, o poeta Cazuza. Cantaram, dividindo os microfones entre si, a canção “Pro Dia nascer Feliz”. Foi o auge de uma noite em que a mistura de ritmos, etnias, opções sexuais desfilou pelo palco.

Uma bela iniciativa, que acontece pela segunda vez. A primeira campanha aconteceu em 2013, com show no mesmo Circo Voador (veja aqui a resenha daquela edição).  Discursos inflamados e um publico que correspondia e via ali a sua representatividade tornaram essa noite uma grande celebração pelos direitos iguais. Em determinado momento, enquanto a MC Fernanda Lima apresentava alguns dados sobre os crimes de ódio, o publico entoou em coro alguns versos contra a redução da maioridade penal. Um momento único. Lindo ver tantas pessoas conscientes, lutando não apenas pela causa proposta no evento, mas interessada e expondo também sua opinião sobre outro tema tão urgente em nossa sociedade.

Uma grata surpresa para mim foi Simone Mazzer, a primeira a se apresentar na noite. Não a conhecia e nunca tinha ouvido falar dela. Mas a mulher tem uma potência vocal indescritível e uma presença forte, com uma interpretação densa de letras que poderiam ser consideradas inocentes, mas não com a carga dramática que ela impôs. Fiz o registro em vídeo de “Camisa Listrada” composta em 1937 por Assis Valente e já gravada por diversos nomes.

Depois dela, Pretinho da Serrinha e sua banda assumiram o palco e os demais artistas se revezavam em suas apresentações. Quando Zelia Duncan cantava “Toda Forma de Amor”, Toni Garrido não se conteve no backstage e pulou no palco para dividir com ela a canção.

Mais do que um evento de música, foi uma grande celebração das conquistas obtidas até hoje na luta pela igualdade de direitos e também a oportunidade para se dar mais um passo para um mundo mais humano e amoroso. Que venham novos eventos assim e que a luta da CEDS seja vitoriosa, não apenas no Rio, mas com suas conquistas se propagando por todo o país, que, infelizmente, é o campeão mundial em número de assassinatos de homossexuais no mundo.

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